No Dia do TDAH, lembrado em 13 de julho, especialistas chamam a atenção para um transtorno que afeta milhões de pessoas e ainda é cercado por preconceitos.
O Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) atinge cerca de 5% das crianças e adolescentes e entre 2,5% e 4% dos adultos em todo o mundo, segundo estudos internacionais. Apesar da alta prevalência, muitos casos permanecem sem diagnóstico ou são confundidos com preguiça, desinteresse, falta de disciplina ou simples distração.
Para o médico neurologista Dr. Marcio Rassi, essa confusão pode atrasar a busca por ajuda especializada e impactar significativamente a vida do paciente.
“O TDAH é uma condição neurobiológica. Não estamos falando de falta de vontade ou de esforço. O cérebro dessas pessoas funciona de maneira diferente, especialmente em áreas relacionadas à atenção, ao planejamento e ao controle dos impulsos”, explica.
Embora os sintomas geralmente apareçam ainda na infância, muitos pacientes chegam à vida adulta sem saber que convivem com o transtorno. Entre os principais sinais estão dificuldade para manter a concentração, esquecimento frequente de compromissos, perda constante de objetos, procrastinação, inquietação, impulsividade e dificuldade de organização.
Segundo o especialista, não existe um exame laboratorial ou de imagem capaz de confirmar o diagnóstico.
“O diagnóstico é clínico e exige uma avaliação detalhada da história do paciente, dos sintomas apresentados e dos prejuízos causados em diferentes contextos da vida, como escola, trabalho e relacionamentos”, afirma.
O tratamento do TDAH é individualizado e vai muito além do uso de medicamentos. De acordo com Dr. Marcio Rassi, a abordagem mais eficaz costuma combinar diferentes estratégias, como orientação ao paciente e à família, terapia cognitivo-comportamental, organização da rotina, prática regular de atividade física e, quando necessário, tratamento medicamentoso.
“O objetivo não é mudar a personalidade da paciente, mas ajudá-la a desenvolver todo o seu potencial, reduzir os prejuízos causados pelos sintomas e melhorar a qualidade de vida”, destaca o neurologista.

Além disso, hábitos saudáveis também exercem papel importante no controle dos sintomas. Sono adequado, atividade física regular, alimentação equilibrada e uma rotina estruturada contribuem para melhorar a atenção, a organização e o desempenho nas atividades do dia a dia.
O atraso no diagnóstico pode trazer consequências importantes. Estudos mostram que pessoas com TDAH apresentam maior risco de desenvolver ansiedade, depressão, baixa autoestima, dificuldades acadêmicas, problemas profissionais e conflitos interpessoais.
Apesar dos desafios, o tratamento apresenta excelentes resultados quando iniciado precocemente.
“Quanto mais cedo o diagnóstico for realizado, maiores são as chances de o paciente desenvolver estratégias para lidar com os sintomas e evitar impactos na vida escolar, profissional e social. O TDAH tem tratamento e não deve ser encarado como uma falha de comportamento ou falta de esforço”, conclui o especialista.
